
Olhar do Diretor
Minha prioridade é retratar a identidade como uma armadura reluzente feita à mão.O foco está no detalhe: os dedos ágeis de Soll no bordado e como a costura diária de sua dignidade. Para mim, este concurso é um "pano de fundo metafórico".
O verdadeiro espetáculo é a vida cotidiana dessas mulheres, que enfrentam a "sarjeta"imposta pela sociedade com a elegância de quem já se sente coroada.
O documentário procura o universal no particular. Ao mostrar que Soll navegou por anos antes de encontrar seu próprio padrão de beleza, o filme conecta-se com qualquer pessoa que já tenha se sentido inadequado(a). o amor de Soll pela filha Maria,
o do avô por sua neta — é a força que realmente retifica o nome e o destino de alguém. É um convite para enxergar as pessoas em sua diversidade e plenitude,
como seres complexos cujas histórias são tão humanas quanto as de qualquer um de nós, “Somos Todas (os) Misses”.
SOMOS TODAS MISS
Documentário
Artver/documentários Kalika/Filmes
Duração: 80 min.
Elenco: Soll Paixão, Juliana Días, Leonora Áquilla Rosana Star, Sérgio Oldenburg entre outros.
"Somos Todas Misses" acompanha a jornada de Soll Paixão rumo ao topo da passarela no maior Concurso de Miss Brasil Trans de 2023.
A câmera desvia o olhar do óbvio para capturar a vida que pulsa nos intervalos: na infância o cabelo era raspado; a cumplicidade silenciosa de um “namorado do teatro" que partilha o peso de se assumir; a violência estrutural e a beleza de uma maternidade socioafetiva que nasce de um sonho.
Em paralelo, no palco, um canto á vida para existir de qualquer forma e figuras como a Doutora Juliana e Débora Ávila oferecem contrapontos de resiliência profissional e política, provando que o conhecimento é a única ferramenta capaz de transformar a "vítima" em protagonista de sua própria história.
O clímax não é a entrega da faixa, mas o momento em que a identidade é validada pelo afeto — que permite que Soll finalmente reivindique seu nome.
"Somos Todas(os) Misses" acompanha a jornada de Soll Paixão rumo ao topo da passarela no maior Concurso de Miss Brasil Trans de 2023.
"O que importa é o que você faz com seu conhecimento. Pode chegar a ser o que quiser."
Com uma fotografia intimista e um ritmo que valoriza gestos e silêncios, o documentário convida o espectador a enxergar essas mulheres em sua plenitude ,como pessoas complexas, com histórias de superação tão humanas quanto as de qualquer um de nós.
O concurso Miss Brasil Trans 2023 serve como pano de fundo metafórico: todas, em suas diferentes batalhas, disputam diariamente o direito de serem vistas, respeitadas e coroadas pela própria existência.
O que este concurso mostra para além do que está sendo visto.

Diretor , Daniel A. Rubio, atua no mercado audiovisual desde 1987. Em 2019 estreiou no cinema com o documentário "O Verde Está do Outro Lado". Trabalhou como produtor e diretor em televisões a cabo nos EUA e na TVPUC 1997, BBC, TVArte, TV Aljazeera. Alguns dos seus principais projetos realizados :9 "Tobias 700 -A Historia de uma Ocupação" exibido em festivais em França, Cuba, Argentina, Uruguai, prêmio de melhor vídeo documentário na Mostra Cinesul 2005- Rio de Janeiro, o prêmio do júri entre mais de 70 documentários de países de latino-america. Diretor do Documentário “O Verde Está do Outro Lado”2019. Produtor Associado e um dos editores do documentário "Entre a luz e a sombra" (Biarritz, Amsterdam, e no festival É Tudo Verdade no Brasil.
A diretora de fotografia, Karla da Costa, atua em variados segmentos como diretora de fotografia, um dos principais projetos foi o documentário “Bixa Travesty” (2017), premiado em alguns festivais de 2018 como Teddy Awards, Festival de Berlim; Mostra La Paloma Valencia/Espanha, Festival de Brasília e finalista Prêmio ABC de melhor direção de fotografia em 2019. Como diretora realizou o curta metragem documentário "Conversas entre Elas", selecionado no Edital Projeto Curta em Casa (Instituto Criar, Projeto Paradiso e SPCine), selecionado para a Mostra Competitiva de Curtas do IV Rota – Doc e Prêmio de Melhor Direção no FIC Pangeia 2023, e, a pedido do Museu da Imigração, SOMOS MIGRANTES.
superar esses estereótipos e encontrar a verdadeira identidade. O filme "Somos todas Miss" é um retrato observacional da luta pela descoberta da identidade de uma mulher.
O filme busca não apenas celebrar a resistência trans, mas também furar bolhas e alcançar públicos que ainda veem essa realidade com distanciamento ou desconhecimento.
Mais do que um retrato sobre identidade, "Somos Todas Miss" é um espelho: lembra que buscamos o mesmo, ser quem somos sem pedir licença. E que, nesse sentido, somos todos dignos de nossa própria coroa.
"The film seeks not only to celebrate trans resistance but also to burst bubbles and reach audiences who still view this reality with detachment or ignorance. More than a portrait of identity, 'Somos Todas Misses' is a mirror: it reminds us that we all seek the same thing—to be who we are without asking for permission. And that, in this sense, we are all worthy of our own crown"
1. ARGUMENTO
O filme propõe um mergulho na subjetividade de corpos que a sociedade frequentemente tenta empurrar para as margens, utilizando o Miss Brasil Trans 2023 não como um fim, mas como um palco metafórico para o maior drama humano: a construção da identidade.
A narrativa é tecida através do cotidiano de Soll Paixão, uma mulher que equilibra o bordado artesanal de sua "armadura" de lantejoulas com o trabalho em um bar no centro de São Paulo. O argumento central sustenta que a busca por saber "quem somos" é um denominador comum universal, transcendendo o gênero. O filme revela que o preconceito não é apenas uma barreira social, mas um ruído que impede a percepção da vida em sua plenitude sensorial e afetiva.
2. SINOPSE CURTA
Entre o brilho da passarela e suas memórias, Soll Paixão e as candidatas preparam-se para o Concurso Miss Brasil Trans 2023, o maior concurso trans do país. O glamour, o sucesso, a beleza, o corpo e a necessidade imperativa ser vista no respeito e, acima de tudo, coroadas pela própria existência.
3. SINOPSE LONGA
"Somos Todas Misses" acompanha a jornada de Soll Paixão rumo ao topo da passarela no maior Concurso de Miss Brasil Trans de 2023.
A câmera desvia o olhar do óbvio para capturar a vida que pulsa nos intervalos: na infância o cabelo era raspado; a cumplicidade silenciosa de um “namorado do teatro" que partilha o peso de se assumir; a violência estrutural e a beleza de uma maternidade socioafetiva que nasce de um sonho.
Em paralelo, no palco, um canto á vida para existir de qualquer forma e figuras como a Doutora Juliana e Débora Ávila oferecem contrapontos de resiliência profissional e política, provando que o conhecimento é a única ferramenta capaz de transformar a "vítima" em protagonista de sua própria história.
O clímax não é a entrega da faixa, mas o momento em que a identidade é validada pelo afeto — que permite que Soll finalmente reivindique seu nome.
"Somos Todas(os) Misses" acompanha a jornada de Soll Paixão rumo ao topo da passarela no maior Concurso de Miss Brasil Trans de 2023.
4. JUSTIFICATIVA
(Fundo Conceitual e Universalidade)
A justificativa deste filme reside na desconstrução do preconceito através da observação da vida. Ao revelar o impacto do amor incondicional — exemplificado pela aceitação do avô de Soll — o documentário retira o tema da identidade de gênero do campo do exótico e o coloca no campo do humano.
O filme justifica-se, portanto, por entender que a procura pela identidade é um denominador comum a qualquer indivíduo, considerando nossas diferenças. A violência e a homofobia são tratadas aqui não como dados frios, mas como o ruído de fundo que torna a conquista de Soll ainda mais monumental.
O documentário utiliza uma abordagem sensorial em cada lantejoula bordada "pedra por pedra" é um ato de resistência contra o apagamento. Ao universalizar essa mensagem, o filme ataca a raiz do preconceito de forma sutil, mais profundo, nas entrelinhas, mostrando que o direito de existir de amar e de ser amado não deveria ser um ato de heroísmo, mas o processo natural e imperativo de qualquer ser humano
Contudo, a obra não ignora a geografia da sobrevivência. São Paulo, o palco desta coroação, é uma cidade de contrastes brutais: é o berço de políticas públicas pioneiras, como o Transcidadania, mas é também o epicentro de uma estatística silenciosa e perversa. O Brasil permanece no topo do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, e a metrópole paulistana, em sua vastidão, concentra o maior número absoluto de notificações de violência contra a comunidade LGBTQIA+ no país. Neste cenário, a passarela do Miss Brasil Trans não é apenas estética; é um escudo contra a "sarjeta" social que tenta consumir essas trajetórias.
Este filme reside na desconstrução do preconceito através da observação da vida. Ao revelar o impacto do amor incondicional, exemplificado pela aceitação do avô de Soll, o documentário retira o tema da identidade de gênero do campo do exótico e o coloca no campo do humano.
O filme justifica-se, portanto, por entender que a procura pela identidade é um denominador comum a qualquer indivíduo, considerando nossas diferenças. A violência e a homofobia são tratadas aqui não como dados frios, mas como o ruído de fundo que torna a conquista de Soll ainda mais monumental.
O documentário utiliza uma abordagem sensorial em cada lantejoula bordada "pedra por pedra" como um ato de resistência contra o apagamento. Ao universalizar essa mensagem, o filme ataca a raiz do preconceito de forma sutil, mais profundo, nas entrelinhas, mostrando que o direito de existir de amar e de ser amado não deveria ser um ato de heroísmo, mas o processo natural e imperativo de qualquer ser humano
Contudo, a obra não ignora a geografia da sobrevivência. São Paulo, o palco desta coroação, é uma cidade de contrastes brutais, é o berço de políticas públicas pioneiras, como o Transcidadania, mas é também o epicentro de uma estatística silenciosa e perversa.
O Brasil permanece no topo do ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, e, a metrópole paulistana, em sua vastidão, concentra o maior número absoluto de notificações de violência contra a comunidade LGBTQIA+ no país. Neste cenário, a passarela do Concurso Miss Brasil Trans 2023, idealizado por Rossana Sobrenome, não é apenas estética; é um escudo contra a opressão social que tenta consumir essas trajetórias.
5. TRATAMENTO OBSERVACIONAL
O tratamento visual e rítmico privilegia o contexto sensorial. As luzes da passarela, os corpos, o concurso Miss Trans, o humor, o glamour, o público, a diversidade presente e as memórias, a câmera atua como uma testemunha discreta, capturando a textura das lantejoulas do vestido, o som das batidas de coração em um sonho e o brilho "pedra por pedra”acompanha o brilho do palco. Não há entrevistas didáticas tradicionais; as falas emergem como conversas genuínas nos camarins e corredores. A fotografia busca a luz que emana da pele e dos olhares, inspirando-se na confiança que Soll admirava em ícones como Gisele Bündchen e Demi Moore. O ritmo respeita os tempos de transição — tanto do corpo quanto da alma — valorizando pausas como espaço de reflexão.
6. OLHAR DO DIRETOR (Visão e Prioridades)
Minha prioridade é retratar a identidade como uma armadura reluzente feita à mão. O foco está no detalhe: os dedos ágeis de Soll no bordado e como a costura diária de sua dignidade. Para mim, este concurso é um "pano de fundo metafórico". O verdadeiro espetáculo é a vida cotidiana dessas mulheres, que enfrentam a "sarjeta" imposta pela sociedade com a elegância de quem já se sente coroada.
O documentário procura o universal no particular. Ao mostrar que Soll navegou por anos antes de encontrar seu próprio padrão de beleza, o filme conecta-se com qualquer pessoa que já tenha se sentido inadequado(a). o amor de Soll pela filha Maria, o do avô por sua neta — é a força que realmente retifica o nome e o destino de alguém. É um convite para enxergar as pessoas em sua diversidade e plenitude, como seres complexos cujas histórias são tão humanas quanto as de qualquer um de nós, “Somos Todas Misses”.
**PROJECT: "WE ARE ALL MISSES"**
Genre: Observational Documentary
Runtime: 80 minutes
Direction: Daniel A. Rubio (Production: Artver/Kalika Filmes)
Main Characters:** Soll Paixão, Rosana Star, Dr. Juliana Dias, Débora Ávila, and Sérgio Resenboum
**Cinematography/Images:** Karla da Costa, Daniel A. Rubio
Statement of Motivation:
The project "WE ARE ALL MISSES" is driven by the urgent need to deconstruct prejudices through a sensitive observation of life and the universal quest for identity. By using Miss Trans Brazil 2023 as a metaphorical stage, the film delves into the subjectivity of frequently marginalized bodies, revealing that the right to exist and be loved is a human imperative, not an act of heroism. The work confronts the "geography of survival" in São Paulo—a city that embraces public policies like *Transcidadania*, but also concentrates high rates of violence against the LGBTQIA+ community—transforming the runway into a shield against social oppression.
Our social commitment is reflected in Soll Paixão’s narrative, as she stitches her sequined "armor" while revisiting childhood memories, such as having her head shaved and facing structural violence, until she finds validation for her identity through affection. Through figures like Dr. Juliana Dias, the documentary demonstrates that knowledge is the tool capable of transforming a "victim" into the protagonist of their own story. Therefore, the film seeks to burst bubbles and reach audiences who still view this reality with detachment, serving as a mirror of human dignity.
1. CV SUMMARIES**
Daniel A. Rubio (Director and Screenwriter):** Director and screenwriter active in the audiovisual market since 1987. He made his cinematic debut with the documentary *"O Verde Está do Outro Lado"* (The Green is on the Other Side, 2019) and has vast experience with international broadcasters such as the BBC and Al Jazeera TV. His project *"Tobias 700 - A História de uma Ocupação"* (Tobias 700 - The Story of an Occupation) was awarded Best Documentary Video at the Cinesul Showcase 2005 and screened at various international festivals. He also worked as an editor and associate producer on the award-winning documentary *"Entre a Luz e a Sombra"* (Between Light and Shadow).
Karla da Costa (Director of Photography and Cinematography):** Director of photography and filmmaker, notably for the documentary *"Bixa Travesty"* (2017), winner of the Teddy Award at the Berlin Film Festival and finalist for the ABC Award for Cinematography. As a director, she made *"Conversas entre Elas"* (Conversations Among Them), awarded at FIC Pangeia 2023, and the documentary *"Somos Migrantes"* (We Are Migrants) for the Immigration Museum. Her visual signature in "WE ARE ALL MISSES" prioritizes an intimate and sensory approach.
PROJECT: "WE ARE ALL MISSES"
Genre: Observational Documentary
Runtime: 80 minutes
Direction: Daniel A. Rubio (Production: Artver/Kalika Filmes)
Main Characters: Soll Paixão, Rosana Star, Dr. Juliana Dias, Débora Ávila, and Sérgio Resenboum
Cinematography/Images: Karla da Costa, Daniel A. Rubio
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1. PREMISE
The film proposes a dive into the subjectivity of bodies that society frequently tries to push to the margins, using Miss Trans Brazil 2023 not as an end goal, but as a metaphorical stage for the greatest human drama: the construction of identity.
The narrative is woven through the daily life of Soll Paixão, a woman who balances the artisanal embroidery of her sequined "armor" with her work at a bar in downtown São Paulo. The central premise sustains that the quest to know "who we are" is a universal common denominator, transcending gender. The film reveals that prejudice is not just a social barrier, but a noise that prevents the perception of life in its full sensory and affective richness.
2. SHORT SYNOPSIS**
Between the glitter of the runway and her memories, Soll Paixão and the candidates prepare for the Miss Trans Brazil 2023 Pageant, the largest trans pageant in the country. Glamour, success, beauty, the body, and the imperative need to be seen with respect and, above all, crowned by their very existence.
3. LONG SYNOPSIS
"We Are All Misses" follows Soll Paixão's journey to the top of the runway at the largest Miss Trans Brazil Pageant of 2023.
The camera shifts its gaze from the obvious to capture the life pulsing in the intervals: in childhood, her head was shaved; the silent complicity of a "theater boyfriend" who shares the weight of coming out; structural violence, and the beauty of a socio-affective motherhood born from a dream.
In parallel, on stage, there is a song to life to exist in any way, and figures like Dr. Juliana and Débora Ávila offer counterpoints of professional and political resilience, proving that knowledge is the only tool capable of transforming a "victim" into the protagonist of their own story.
The climax is not the handing over of the sash, but the moment when identity is validated by affection—allowing Soll to finally claim her name.
"We Are All Misses" follows Soll Paixão's journey to the top of the runway at the largest Miss Trans Brazil Pageant of 2023.
4. JUSTIFICATION
Conceptual Background and Universality
The justification for this film lies in the deconstruction of prejudice through the observation of life. By revealing the impact of unconditional love—exemplified by the acceptance of Soll's grandfather—the documentary removes the theme of gender identity from the realm of the exotic and places it in the realm of the human.
The film is therefore justified by the understanding that the search for identity is a common denominator for any individual, considering our differences. Violence and homophobia are treated here not as cold data, but as background noise that makes Soll's achievement even more monumental.
The documentary uses a sensory approach where every sequin embroidered "stone by stone" is an act of resistance against erasure. By universalizing this message, the film attacks the root of prejudice in a subtle, deeper way, between the lines, showing that the right to exist, to love, and to be loved should not be an act of heroism, but the natural and imperative process of any human being.
However, the work does not ignore the geography of survival. São Paulo, the stage for this coronation, is a city of brutal contrasts: it is the birthplace of pioneering public policies, such as *Transcidadania*, but it is also the epicenter of a silent and perverse statistic. Brazil remains at the top of the world ranking for murders of transgender people, and the vast metropolis of São Paulo concentrates the highest absolute number of violence reports against the LGBTQIA+ community in the country. In this scenario, the Miss Trans Brazil runway is not merely aesthetic; it is a shield against the social "gutter" that tries to consume these trajectories.
This film lies in the deconstruction of prejudice through the observation of life. By revealing the impact of unconditional love, exemplified by the acceptance of Soll's grandfather, the documentary removes the theme of gender identity from the field of the exotic and places it in the field of the human. The film is therefore justified by understanding that the search for identity is a common denominator to any individual, considering our differences. Violence and homophobia are treated here not as cold data, but as the background noise that makes Soll's conquest even more monumental. The documentary utilizes a sensory approach in which every sequin embroidered "stone by stone" acts as resistance against erasure. By universalizing this message, the film attacks the root of prejudice subtly, more deeply, between the lines, showing that the right to exist, to love, and to be loved should not be an act of heroism, but the natural and imperative process of any human being. However, the work does not ignore the geography of survival. São Paulo, the stage of this coronation, is a city of brutal contrasts; it is the birthplace of pioneering public policies, such as *Transcidadania*, but it is also the epicenter of a silent and perverse statistic. Brazil remains at the top of the world ranking for murders of trans people, and the São Paulo metropolis, in its vastness, concentrates the highest absolute number of violence notifications against the LGBTQIA+ community in the country. In this scenario, the runway of the Miss Trans Brazil 2023 Pageant, created by Rossana Starr, is not just aesthetic; it is a shield against the social oppression that tries to consume these trajectories.
5. OBSERVATIONAL TREATMENT
The visual and rhythmic treatment privileges the sensory context. The runway lights, the bodies, the Miss Trans pageant, the humor, the glamour, the audience, the diversity present, and the memories: the camera acts as a discreet witness, capturing the texture of the sequins on the dress, the sound of heartbeats in a dream, and the "stone by stone" shimmer accompanying the stage's glow. There are no traditional didactic interviews; the dialogue emerges as genuine conversations in the dressing rooms and hallways. The cinematography seeks the light emanating from the skin and the gaze, inspired by the confidence that Soll admired in icons like Gisele Bündchen and Demi Moore. The rhythm respects the times of transition—both of the body and the soul—valuing pauses as spaces for reflection.
6. DIRECTOR'S STATEMENT (Vision and Priorities)
My priority is to portray identity as a shimmering, handmade armor. The focus is on the detail: Soll's nimble fingers at the embroidery and the daily stitching of her dignity. For me, this pageant is a "metaphorical backdrop." The true spectacle is the daily life of these women, who face the "gutter" imposed by society with the elegance of those who already feel crowned.
The documentary seeks the universal in the particular. By showing that Soll navigated for years before finding her own standard of beauty, the film connects with anyone who has ever felt inadequate. Soll's love for her daughter Maria, and the grandfather's love for his granddaughter, is the force that truly rectifies someone's name and destiny. It is an invitation to see people in their diversity and fullness, as complex beings whose stories are as human as those of any of us, "We Are All Misses."
"We Are All Misses"
follows Soll Paixão's journey to the top of the runway at the largest Miss Trans Brazil Pageant of 2023.
The camera shifts its gaze from the obvious to capture the life pulsing in the intervals: in childhood, her head was shaved; the silent complicity of a "theater boyfriend" who shares the weight of coming out; structural violence, and the beauty of a socio-affective motherhood born from a dream.
In parallel, on stage, there is a song to life to exist in any way, and figures like Dr. Juliana and Débora Ávila offer counterpoints of professional and political resilience, proving that knowledge is the only tool capable of transforming a "victim" into the protagonist of their own story.
The climax is not the handing over of the sash, but the moment when identity is validated by affection—allowing Soll to finally claim her name.
"We Are All Misses" follows Soll Paixão's journey to the top of the runway at the largest Miss Trans Brazil Pageant of 2023.
copyrigths artver.com.br/ Kalika Filmes 2026